domingo, 5 de janeiro de 2014

A Menina da Chuva

A Menina da Chuva caiu nas minhas mãos feito chuva de caju, como água fria no meio da tarde em Quixeramobim. Cai como chuva não apenas por ter chuva no nome, mas por ser chuva mesmo pra quem tem sede. Palavras úmidas de chuva, de lágrima e de lembrança, na sombra do Serrote do Boqueirão.
Bruno Paulino, com seu livro, salpica de sal as trivialidades do Quixeramobim e de seu mundo próprio e vai temperando suas experiências de moço com as palavras que são pensamentos seus profundos de uma vida ainda curta mas já muito refletida - mesmo que com palavras simples, à moda de Cora Coralina.
E me traduz à sua maneira. A menina da chuva sou eu, um menino da chuva de uma terra sem muita chuva. Sou eu quem pega aquele retrato. Sou eu quem caminha nas ruas da cidade antiga com medo de passar no beco da Maria Helena doida.
Amizades.
Pensamentos.
Cabelos brancos.
Começos de amores.
Saudades.

Crônicas que sei que cada vez que são lidas serão novas de novo, como as boas crônicas. Tornei-me Bruno e gostei.
Bruno anda ainda mal acostumado com a sua juventude. Seu corpo juvenil perscruta o mundo com um olhar meio sexagenário - mal dos inteligentes! E daí suas crônicas com gosto de memória, com uma pitada de melancolia - memórias velhas precoces, apertadas em um baú pequeno de anos (mas carregado por um sorriso bonito de menino).

A Menina da Chuva
Autor: Bruno Paulino
Premius Editora
2013

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